Faremos uma breve análise das causas da emigração para a América do Sul no século passado. Por que tão grande contingente de pessoas abandonou sua pátria em busca de melhores condições de vida? Eis algumas das causas:

Explosão demográ-fica: o progresso nas ciências biológicas e a adoção de medidas de higiene reduziram o índice de mortalidade, continuando alta a taxa de natalidade. O aumento demográfico daí decorrente causou desequilíbrio no mercado de trabalho, marginalizando indivíduos e criando grupos de pressão que buscaram solução fora da pátria.

Serviço militar: os latifundiários, de antiga aristocracia, recrutavam para sua defesa os jovens para o serviço militar, que se prolongava anos, provocando descontentamento.

Devastação das terras e impostos elevados: decorrência das muitas guerras que destruíam as plantações e elevaram o custo de vida a um grau insustentável para os camponeses e trabalhadores em geral. Terras demasiado fracionadas que não permitiam o sustento da família.

Más colheitas: por pragas de insetos, terras exauridas, ausência de tecnologia, desmatamentos. Desequilíbrio climático, provocando secas e enxurradas, ocasionou fome entre a população humilde.

Desejo de possuir terra própria: sonho inatingível na sociedade elitizada da Europa em industrialização.

Modelo subjacente: os bens ficavam para o filho mais velho, deixando os demais sem meios de sobrevivência.

Implantação da indústria: liberando mão-de-obra. Produzindo mais em menor tempo, a máquina deixou no desemprego milhares de artesãos.

Precária situação econômica: engloba, a grosso modo, todas as causas acima apontadas. Foi a principal razão porque milhares de marginalizados economicamente buscassem na América a esperança por dias melhores. Quando a pátria não pode oferecer condições mínimas de realização pessoal, não há porque não tentar a vida noutro país.

Desejo de aventura: próprio da juventude em busca de sensações novas. Inclui também aquela parcela de imigrantes, pequena, que vislumbrava maiores possibilidades de realização em um país novo, como o Brasil, do que na sociedade européia estruturada com rigor. Houve aqui em Carlos Barbosa um Dalsin que emigrou para o Brasil porque ouvira dizer que no Brasil havia caça farta.

Propaganda do Governo Brasileiro: eficiente, o governo brasileiro intensificava o apoio econômico quando chegavam poucos imigrantes, rareando quando aumentava a corrente; prometia a possibilidade de aquisição de terra.

Ação de parentes: quando um imigrante escrevia a seus parentes acerca dos progressos atingidos em seu lote rural – da extensão de muito latifúndio europeu –, estes ficavam deveras motivados para também emigrarem, procurando radicar-se nas proximidades do parente. Havia muita emotividade nestas cartas, muitos se arrependeram, mais aí era tarde demais, era uma viagem sem retorno.

Página principal >>
<< Seleção de Crônicas
E-mail >>