Ao ler a crônica do Facchini, publicada na semana passada, sobre pijamas, refleti sobre a indumentária masculina e feminina dos primeiros imigrantes até os anos 70, quando surgiu a lingerie e o pijama. As mulheres, na Itália, usavam no inverno seis tipos de vestimentas e não utilizavam calcinha, pois a roupa ia até o calcanhar. Mas, por incrível que pareça, fechadas hermeticamente, os homens conseguiram chegar naquele lugar tão almejado

Aqui no Brasil não foi diferente, eles eram tão pobres que as roupas íntimas não tinham valor algum. Sexo antes do casamento, nem pensar. Praticavam o ato com a mulher usando uma roupa de pelúcia desde a cabeça até o calcanhar, e na parte intermediária, ou seja, uns 30 centímetros abaixo do umbigo, havia um buraco próximo do outro.

Com a chegada dos sacos de sal, de adubo e de farinha, que eram elaborados a partir de um algodão rústico, aquelas peças foram transformadas em ceroulas, calções, calcinhas para as mulheres, pois não existiam os absorventes ditos higiênicos que chegaram ao mercado lá no final da década de 60. Como eles dormiam em colchões de palha, que era trocada a cada dois ou três anos, o cheiro misturado com os odores urinais, não espantava o ato sexual, pois as famílias tinham em média 10,5 filhos no período de 1890 até 1950.

Os primeiros pijamas eram para pessoas da cidade, um tanto refinadas, mas na colônia pijama era só quando o vivente, ou melhor, o paciente, ia para o hospital, e lá ficava com aquela indumentária por semanas. O pijama não era lavado e o paciente muito menos tomava banho.

Nos anos 50, 60, os homens costumavam ir para a zona, era lá, com as mulheres da vida, que eles tinham a sua iniciação sexual. Essas mulheres gostavam de maquiar-se e foram as precursoras, as pioneiras, do uso da lingerie com as calcinhas rendadas, coisa que deixava loucos os homens, que literalmente babavam-se diante daquelas mulheres vestidas sumariamente.

A indústria da lingerie tem hoje um forte apelo publicitário, e você vê quando abre uma revista, olha uma vitrina, vê uma cena de cama das novelas da Rede Globo; aliás, falando nisso, esses atores globais passam 99% do seu tempo no leito, eles ficam muito pouco tempo na vertical.

Nos anos 60, e essa tradição veio da Itália, as mulheres também faziam uso da bata, um roupão que descia um palmo abaixo dos joelhos. Ver uma perna de mulher ou uma minissaia só no final dos anos 60, e aí foi uma loucura, elas não desceram mais e foram novamente as mulheres da vida as inovadoras da moda. Os tarados habitués ficavam embasbacados com a novidade, babando como vaca com aftosa. Vejam bem: os homens que saíam das casas de suas namoradas, tesudos, descarregavam a sua energia nos bordéis. Alguns pegavam a desgraçada gonorréia, mas não desistiam de freqüentar a casa. As namoradas ficavam em casa guardando a tão cobiçada para o pós-casamento. Ali, meus caros, por semanas as janelas não eram abertas e toda a tensão, ou melhor, a tesão acumulada em anos de celibato era cobrada em poucos dias. Quando eles saíam das suas casas estavam mais amarelos do que um doente com hepatite. As mulheres do meio rural, que sempre tiveram um comportamento recatado e não se despiam na frente de seus maridos, de medo, de vergonha, pois imaginavam ir no mínimo para o purgatório, acabaram gerando maridos infiéis, pois eles davam freqüentes escapadas nos bordéis e não poucos acabaram apaixonando-se perdidamente e avassaladoramente por aquelas mulheres de pouca roupa.

Se nos anos 60 usar o pijama era coisa de maricas, de afrescalhado, hoje tem todos os tipos e muitos homens ditos machões se transfiguram, sofrem uma mutação, quando põem o pijama e as pantufas. As mulheres dos nossos tempos são tão despudoradas que não conseguem mais esconder nada. Até nos campos de futebol, nas colônias, elas vão seminuas.

Os calções feitos de sacos de sal e de adubo acabaram provocando comichões na parte da frente e de trás nos homens, e também nas mulheres. Eles eram mal lavados e permaneciam com um resíduo de salitre, de sal, que com o calor da noite, embaixo dos cobertores de pena, provocavam delírios de tanta comichão.

Hoje tudo é sumário, as cuecas, as lingeries, e eu fico pensando: quanto prazer os homens de antigamente deixaram de ter com toda essa profusão dessas micro lingeries vaporosas que não tapam nada. Eles mereceriam ter uma nova oportunidade, um retorno a estes tempos que deixariam Nero envergonhado.

Em minha retina vejo os varais dos anos 60, 70, onde as calçonas de 70 centímetros de comprimento ficavam estendidas para secar. Hoje se vêem minúsculas calcinhas de no máximo um polmo de comprimento.

O que será dentro de 20 anos?

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