Publicado em 19/04/08

Preço do sal mineral dispara
e preocupa produtores

Criadores de gado de leite estão preocupados – e vêem seu lucro reduzir – com o aumento do preço do sal mineral. O preço do complemento alimentar teve aumento de 33% a 63% (dependendo da marca e da composição) a partir do mês de novembro de 2007.
O principal componente da fórmula, e que determinou a elevação do preço, é o fosfato bicálcico. Esta matéria-prima custava, em dezembro de 2006, R$ 780,00 a tonelada, mas, em março de 2008, saltou para R$ 1.800,00. Isso significa uma elevação de 131% no preço.
O Mercado Agropecuário da Cooperativa Santa Clara abastece agricultores de Carlos Barbosa e de vários municípios da região. O principal fornecedor é a Tortuga, segundo José Dotta, gerente do Mercado.

AUMENTO
“Temos outros fornecedores, mas o Novo Bovi Gold, da Tortuga, significa setenta e cinco por cento das nossas vendas. Este subiu trinta e três por cento [33%], e nos outros o aumento chegou a sessenta e três por cento [63%]”, informou Dotta.
No mês de novembro de 2007, segundo o gerente, o Mercado Agropecuário vendia o saco de 30 quilos do Bovi Gold a R$ 38,10, e agora sai por R$ 50,70. O de outras marcas saltou de R$ 40,50 para R$ 66,00.
O médico-veterinário Egon Hruby, supervisor técnico da Tortuga na região, disse que a elevação no preço decorre do aumento da demanda do fosfato bicálcico.
“A nível mundial houve um grande aumento pela procura de fosfato bicálcico, que é usado para a composição de adubos além da nutrição animal. A Tortuga importa o ácido fosfórico do Marrocos”, disse Egon. (JDC)

Custo de produção
fica mais elevado
Agropecuaristas de duas propriedades, que têm na criação de gado de leite a principal atividade, foram ouvidos. Na Linha Vitória, Elio e Mauro Cichelero, pai e filho, têm um rebanho de 52 cabeças. Eles souberam que iria aumentar e fizeram estoque. Na Linha Doze, na divisa com Barão, Elio Schäfer e os filhos Ademar e Lauri criam um rebanho de 140 cabeças, e não estão bem a par da elevação no custo do insumo.

VITÓRIA
Na propriedade de 24,6 hectares, Elio Cichelero, 67 anos, a esposa Maria Misturini Cichelero, 64, o filho Mauro Cichelero, 37, e a nora Sandra Pedruzzi Cichelero, 35, criam um rebanho de 52 animais.
São 29 são vacas em lactação, que atingem a média diária de 700 litros de leite. Diariamente, fornecem 200 gramas do complemento para cada animal, incluindo as novilhas e terneiras.
“A gente mistura na silagem, damos duzentos gramas por dia cada uma. Se a vaca não comer este complemento, pode dar problema na placenta e ausência de cio”, disse Sandra, encarregada de fornecer o produto com a silagem.
Mauro complementa: “Não pode faltar este complemento na dieta das vacas. Pela quantia de cada vaca, dá praticamente seis quilos por mês para cada uma”.
Bem informado, Mauro sabia que o produto iria aumentar e, por isso, adquiriu uma quantia maior do que a habitual. “A gente costuma comprar conforme usa, mas, para aproveitar o preço, se comprou 600 quilos. Isso deve dar para mais dois meses”, disse Mauro.
O preço recebido por litro de leite foi de R$ 0,64 no mês passado. Seria um valor razoável, mas a margem de ganho reduz com a elevação do custo dos insumos.
“Não foi só o sal mineral que aumentou, o adubo também subiu um monte”, salienta Mauro, “eu lembro que em 1997 o preço de um litro de leite equivalia ao do óleo diesel. Hoje, recebemos pouco mais de sessenta centavos pelo leite e o diesel está um real e noventa centavos. Por ai pode se ver como é o nosso problema”.

linha doze
Na Linha Doze, já dentro de território baronense, a família de Élio Schäfer, 63 anos, e os filhos Ademar, 40, e Lauri, 37 anos, criam um rebanho de mais de 140 cabeças, incluindo gado de corte. São 45 vacas em lactação, que alcançam a média de 1.000 litros por dia.
Além dos filhos, a esposa Áurea Ebeling Schäfer, 65 anos, e a nora (casada com Ademar) Anita Terezinha Klein Schäfer, 46, também ajudam na lida.
Lauri disse que usam o complemento mineral, mas não sabia do aumento do preço: “A gente mistura no cocho e também se coloca no saleiro, na invernada ou no confinamento. Se compra em média cinco sacos por mês, eu nem vi o valor da nota no mês passado”. (JDC)

Fábrica de ração garantiu
estoque com preço baixo

A Fábrica de Ração da Cooperativa Santa Clara produz dois tipos: uma para o rebanho bovino e outra para a criação de suínos. O sal mineral é um dos ingredientes e, para evitar o preço alto, foi feito um estoque para seis meses.
SegundoValdecir Danieli, supervisor de produção da fábrica, mensalmente são utilizados 75 toneladas do mineral na fórmula do produto. “Como a gente tem uma relação comercial de mais de 30 anos, eles [Tortuga] vão entregar o produto mais adiante, mas garantem o preço”, disse Valdecir.
“São 60 toneladas por mês para a ração dos bovinos e 15 toneladas para suínos. São fórmulas diferentes, e a quantia deste mineral varia. Com essa quantidade dá para produzir em torno de mil e oitocentas toneladas por mês, isso dá um volume anual de 21 mil toneladas”, disse Valdecir.
Toda essa produção é absorvida pelos criadores associados à Santa Clara. Um saco de 40 quilos de ração é vendido por R$ 26,00, o que deixa o preço do quilo em R$ 0,65. Quem compra à granel paga um pouco menos, R$ 0,54 ao quilo. (JDC)

 


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