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Criadores
de gado de leite estão preocupados e vêem seu lucro
reduzir com o aumento do preço do sal mineral. O preço
do complemento alimentar teve aumento de 33% a 63% (dependendo da marca
e da composição) a partir do mês de novembro de 2007.
O principal componente da fórmula, e que determinou a elevação
do preço, é o fosfato bicálcico. Esta matéria-prima
custava, em dezembro de 2006, R$ 780,00 a tonelada, mas, em março
de 2008, saltou para R$ 1.800,00. Isso significa uma elevação
de 131% no preço.
O Mercado Agropecuário da Cooperativa Santa Clara abastece agricultores
de Carlos Barbosa e de vários municípios da região.
O principal fornecedor é a Tortuga, segundo José Dotta,
gerente do Mercado.
AUMENTO
Temos outros fornecedores, mas o Novo Bovi Gold, da Tortuga, significa
setenta e cinco por cento das nossas vendas. Este subiu trinta e três
por cento [33%], e nos outros o aumento chegou a sessenta e três
por cento [63%], informou Dotta.
No mês de novembro de 2007, segundo o gerente, o Mercado Agropecuário
vendia o saco de 30 quilos do Bovi Gold a R$ 38,10, e agora sai por R$
50,70. O de outras marcas saltou de R$ 40,50 para R$ 66,00.
O médico-veterinário Egon Hruby, supervisor técnico
da Tortuga na região, disse que a elevação no preço
decorre do aumento da demanda do fosfato bicálcico.
A nível mundial houve um grande aumento pela procura de fosfato
bicálcico, que é usado para a composição de
adubos além da nutrição animal. A Tortuga importa
o ácido fosfórico do Marrocos, disse Egon. (JDC)
Custo
de produção
fica mais elevado
Agropecuaristas
de duas propriedades, que têm na criação de gado de
leite a principal atividade, foram ouvidos. Na Linha Vitória, Elio
e Mauro Cichelero, pai e filho, têm um rebanho de 52 cabeças.
Eles souberam que iria aumentar e fizeram estoque. Na Linha Doze, na divisa
com Barão, Elio Schäfer e os filhos Ademar e Lauri criam um
rebanho de 140 cabeças, e não estão bem a par da
elevação no custo do insumo.
VITÓRIA
Na propriedade de 24,6 hectares, Elio Cichelero, 67 anos, a esposa Maria
Misturini Cichelero, 64, o filho Mauro Cichelero, 37, e a nora Sandra
Pedruzzi Cichelero, 35, criam um rebanho de 52 animais.
São 29 são vacas em lactação, que atingem
a média diária de 700 litros de leite. Diariamente, fornecem
200 gramas do complemento para cada animal, incluindo as novilhas e terneiras.
A gente mistura na silagem, damos duzentos gramas por dia cada uma.
Se a vaca não comer este complemento, pode dar problema na placenta
e ausência de cio, disse Sandra, encarregada de fornecer o
produto com a silagem.
Mauro complementa: Não pode faltar este complemento na dieta
das vacas. Pela quantia de cada vaca, dá praticamente seis quilos
por mês para cada uma.
Bem informado, Mauro sabia que o produto iria aumentar e, por isso, adquiriu
uma quantia maior do que a habitual. A gente costuma comprar conforme
usa, mas, para aproveitar o preço, se comprou 600 quilos. Isso
deve dar para mais dois meses, disse Mauro.
O preço recebido por litro de leite foi de R$ 0,64 no mês
passado. Seria um valor razoável, mas a margem de ganho reduz com
a elevação do custo dos insumos.
Não foi só o sal mineral que aumentou, o adubo também
subiu um monte, salienta Mauro, eu lembro que em 1997 o preço
de um litro de leite equivalia ao do óleo diesel. Hoje, recebemos
pouco mais de sessenta centavos pelo leite e o diesel está um real
e noventa centavos. Por ai pode se ver como é o nosso problema.
linha doze
Na Linha Doze, já dentro de território baronense, a família
de Élio Schäfer, 63 anos, e os filhos Ademar, 40, e Lauri,
37 anos, criam um rebanho de mais de 140 cabeças, incluindo gado
de corte. São 45 vacas em lactação, que alcançam
a média de 1.000 litros por dia.
Além dos filhos, a esposa Áurea Ebeling Schäfer, 65
anos, e a nora (casada com Ademar) Anita Terezinha Klein Schäfer,
46, também ajudam na lida.
Lauri disse que usam o complemento mineral, mas não sabia do aumento
do preço: A gente mistura no cocho e também se coloca
no saleiro, na invernada ou no confinamento. Se compra em média
cinco sacos por mês, eu nem vi o valor da nota no mês passado.
(JDC)
Fábrica
de ração garantiu
estoque com preço baixo
A Fábrica
de Ração da Cooperativa Santa Clara produz dois tipos: uma
para o rebanho bovino e outra para a criação de suínos.
O sal mineral é um dos ingredientes e, para evitar o preço
alto, foi feito um estoque para seis meses.
SegundoValdecir Danieli, supervisor de produção da fábrica,
mensalmente são utilizados 75 toneladas do mineral na fórmula
do produto. Como a gente tem uma relação comercial
de mais de 30 anos, eles [Tortuga] vão entregar o produto mais
adiante, mas garantem o preço, disse Valdecir.
São 60 toneladas por mês para a ração
dos bovinos e 15 toneladas para suínos. São fórmulas
diferentes, e a quantia deste mineral varia. Com essa quantidade dá
para produzir em torno de mil e oitocentas toneladas por mês, isso
dá um volume anual de 21 mil toneladas, disse Valdecir.
Toda essa produção é absorvida pelos criadores associados
à Santa Clara. Um saco de 40 quilos de ração é
vendido por R$ 26,00, o que deixa o preço do quilo em R$ 0,65.
Quem compra à granel paga um pouco menos, R$ 0,54 ao quilo. (JDC)
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