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Para uma
cidade que respira o futsal e já se encantou com os lances mais
maravilhosos que o esporte pode proporcionar, o jogo entre atletas cegos
que aconteceu no domingo, 11, foi um evento inédito e emocionante,
mas que pouca gente viu.
O pequeno público que foi para o ginásio às 11h45min,
para a preliminar de ACBF x Malwee, se surpreendeu com a capacidade dos
jogadores porto-alegrenses, membros da Acergs (Associação
de Cegos do Rio Grande do Sul).
O jogo entre o time branco e o time azul terminou 2x2. Pelo time branco
com apenas três jogadores na linha atuou Ricardinho,
jogador da seleção brasileira considerado o melhor salonista
cego do mundo. Ele sofreu e converteu um gol de pênalti.
Falcão
Durante o jogo, atletas da ACBF e da Malwee assistiam à beira da
quadra. O jogador deficiente visual conduz a bola guiado pelo som de guizos
que ficam dentro dela. Para avançar, o atleta toca a bola rapidamente
entre um pé e outro.
Rafael Dorneles, técnico da Acergs há um ano e meio, considera
sua equipe de alto nível no futsal: Tenho atletas de 15 a
48 anos, e tem coisas que surpreendem. Eles dão balãozinho,
janelinha. A cada treino e jogo há um motivo para comemorar:
São coisas que só vendo para acreditar
realmente.
Após o jogo, houve o encontro dos melhores do mundo. Ricardinho
conheceu o ídolo Falcão, que demonstrou emoção
ao falar com o jovem cego de 19 anos.
Ricardinho pediu que Falcão fizesse uma embaixadinha e equilibrasse
a bola na nuca. Após executar o lance, Falcão desafiou o
rapaz, que não se fez de rogado e repetiu a jogada.
Foi um momento muito especial para mim. Tanto pela oportunidade
de fazer a preliminar de um jogo deste nível e por conhecer o Falcão,
um cara que eu admiro muito, disse Ricardinho.
Ele perdeu a visão total aos oito anos, devido ao descolamento
da retina. Dedica-se ao futsal com paixão, e pode disputar as Paraolimpíadas
da China neste ano: É um sonho, porque é o campeonato
mais valorizado da nossa categoria. Estou treinando a sério, não
tenho vaga garantida, mas vou batalhar por ela.
Ricardinho está concluindo o Ensino Médio, e nas horas vagas
gosta de tocar violão em casa. O massagista da ACBF, Farroupilha,
resumiu o que todos que assistem a um jogo desses imaginam: Tem
gente que enxerga e não consegue fazer o que eles fazem.
(ED)
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