Publicado em 17/05/08

FUTSAL
Cegos emocionam com seu futsal

Para uma cidade que respira o futsal e já se encantou com os lances mais maravilhosos que o esporte pode proporcionar, o jogo entre atletas cegos que aconteceu no domingo, 11, foi um evento inédito e emocionante, mas que pouca gente viu.
O pequeno público que foi para o ginásio às 11h45min, para a preliminar de ACBF x Malwee, se surpreendeu com a capacidade dos jogadores porto-alegrenses, membros da Acergs (Associação de Cegos do Rio Grande do Sul).
O jogo entre o time branco e o time azul terminou 2x2. Pelo time branco – com apenas três jogadores na linha – atuou Ricardinho, jogador da seleção brasileira considerado o melhor salonista cego do mundo. Ele sofreu e converteu um gol de pênalti.

Falcão
Durante o jogo, atletas da ACBF e da Malwee assistiam à beira da quadra. O jogador deficiente visual conduz a bola guiado pelo som de guizos que ficam dentro dela. Para avançar, o atleta toca a bola rapidamente entre um pé e outro.
Rafael Dorneles, técnico da Acergs há um ano e meio, considera sua equipe de alto nível no futsal: “Tenho atletas de 15 a 48 anos, e tem coisas que surpreendem. Eles dão balãozinho, janelinha”. A cada treino e jogo há um motivo para comemorar: “São coisas que ‘só vendo’ para acreditar realmente”.
Após o jogo, houve o encontro dos melhores do mundo. Ricardinho conheceu o ídolo Falcão, que demonstrou emoção ao falar com o jovem cego de 19 anos.
Ricardinho pediu que Falcão fizesse uma embaixadinha e equilibrasse a bola na nuca. Após executar o lance, Falcão desafiou o rapaz, que não se fez de rogado e repetiu a jogada.
“Foi um momento muito especial para mim. Tanto pela oportunidade de fazer a preliminar de um jogo deste nível e por conhecer o Falcão, um cara que eu admiro muito”, disse Ricardinho.
Ele perdeu a visão total aos oito anos, devido ao descolamento da retina. Dedica-se ao futsal com paixão, e pode disputar as Paraolimpíadas da China neste ano: “É um sonho, porque é o campeonato mais valorizado da nossa categoria. Estou treinando a sério, não tenho vaga garantida, mas vou batalhar por ela”.
Ricardinho está concluindo o Ensino Médio, e nas horas vagas gosta de tocar violão em casa. O massagista da ACBF, Farroupilha, resumiu o que todos que assistem a um jogo desses imaginam: “Tem gente que enxerga e não consegue fazer o que eles fazem”. (ED)

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