Publicado em 17/05/08

FUTSAL
Clássico de equilíbrio e catimba

Jogo marcado para às 13 horas do domingo, Dia das Mães, não é a melhor pedida. Mas uma promoção da diretoria da ACBF levou cerca de 2.100 pessoas ao Centro Municipal de Eventos para ver a compacta defesa laranja contra o perseverante ataque da Malwee.
Elevado ao status de um dos maiores clássicos do futsal brasileiro, o jogo foi lá e cá, e só não terminou com vitória barbosense por detalhes. Na volta do segundo tempo, a ACBF imprimiu um ritmo alucinante, mas não conseguiu sair do 2x2 construído ainda na etapa inicial.
Quem abriu o placar foi Sinoê, aos sete minutos do primeiro tempo (foto abaixo). Um dos grandes responsáveis por isso foi o goleiro Bilica, que fez defesas importantes e deixou o time confiante para subir. A ACBF tinha uma equipe renovada em quadra, com Rodrigo e Waguinho no lugar de Goda e Leandrinho, que saíram jogando, juntamente com Tostão.
Logo em seguida, a Malwee empatou após passe errado de Waguinho. Falcão era discreto, mas Lenísio sempre perigoso. Foi o melhor jogador do mundo que fez o gol da virada, ao receber passe de escanteio.
Quando a equipe principal retornou à quadra, Leandrinho armava boas jogadas, mas o jogo se amornou. As subidas da ACBF aconteciam pelo lado direito, e foi de lá que Tostão cobrou o escanteio aproveitado por Goda para empatar.
Em vários momentos, a equipe barbosense via-se com a bola pronta para o ataque, mas preferia acalmar a jogada e pensar melhor o jogo. “É uma questão de selecionar o ataque. Nossa preocupação era não dar o contra-ataque, já que eles têm uma linha de marcação adiantada”, explicou Jarico.

Lá e cá
Após a confusão que foi a saída para o intervalo (veja texto abaixo), a ACBF voltou para o segundo tempo com um ritmo empolgante. Foram dez minutos de predominância laranja, com destaque para bolas na trave de Jé e Dionízio. Tiago, goleiro da Malwee, se desdobrava para orientar sua defesa e não sofrer o gol.
Um dos grandes trunfos do time de Jarico eram as roubadas de bola, com ligação rápida para o ataque.
Era hora de Jarico poupar o fôlego dos jogadores para o final, e a equipe foi renovada em quadra. O jogo caiu em ritmo, já que a Malwee procurava tocar a bola, estudando qual a melhor forma de vencer a defesa laranja.
Tiago subia ao ataque, mas logo percebeu que isso poderia ser fatal. Os ataques aconteciam com alternância, caracterizando o lá e cá. Com o jogo empatado e se encaminhando para o final, a ACBF recuou para sua área, preocupando-se com a defesa de sua meta. A Malwee até tentou, mas não chegou a ser enfática no ataque.
Ferretti, técnico da Malwee, considerou o placar justo. “A ACBF esteve muito bem no início do segundo tempo, quando poderia ter aberto uma vantagem que não conseguiríamos reverter”, disse. Bilica valorizou o ponto obtido: “As duas equipes procuraram o gol. Conseguimos um empate diante de uma equipe de nível alto e estamos felizes com isso”.
O capitão Goda esperava mais. “Pelo nosso segundo tempo, o placar não foi justo. Faltou finalização. Eles têm uma equipe complicada no ataque, mas que joga e deixa jogar”, disse. E lembrou do Mundial: “Lá também o jogo foi de igual para igual, e perdemos muitos gols”. Jé finaliza, conformado: “Um ponto é melhor que nada”. (ED)

Mal-entendido na Espanha
gerou tumulto com torcida

Faltando 30 segundos para acabar o primeiro tempo, fora do lance Lenísio acertou Goda, que saiu do jogo machucado no olho. Ele explica: “Uns segundos antes, tive um lance um pouco mais forte com o Lenísio. Depois ele veio na maldade e tentou me dar uma cotovelada. Errou, mas mesmo assim acabou acertando meu olho com a unha”. Isso exaltou os ânimos na quadra e desencadeou um tumulto envolvendo a torcida da ACBF.
Ao se dirigir para o vestiário, o time da Malwee deu de cara com alguns torcedores mais irritados. Um deles, Luiz Carlos Frozza, foi expulso do ginásio pelo representante da Confederação Brasileira de Futsal (CBFS), Antônio Carlos Abrão.
Abrão explicava à imprensa seus procedimentos: “O que aconteceu aqui não pode se repetir. Torcida invadindo túnel de saída, cuspindo nos atletas, tentando agredir de todas as maneiras, e tem um cidadão...” [ele interrompe a conversa e se dirige a Frozza, que estava à beira da quadra –] “O senhor vai ter que sair do ginásio!”.
Frozza deu sua versão: “Foi o Lenísio! Na saída ele me chutou por trás, eu estava xingando a arbitragem”. O jogador, obviamente, nega a culpa: “Eu não mexo com torcedor, eles que tentaram me agredir”.
Sobraram rusgas também entre o técnico da Malwee, Fernando Ferretti, e o presidente da ACBF, Evandro Zibetti. “O Ferretti me agrediu verbalmente e depois disse que não sabia que eu era o presidente do clube. Ora, o respeito deve ser com todos”, disse Zibetti. Ferretti recusou a acusação: “Ele foi lá provocar a equipe e eu falei que ele estava incitando a agressão da torcida”.
Caso o túnel móvel que liga a quadra à entrada do vestiário tivesse sido instalado, o contato com a torcida não teria acontecido. Tanto Abrão quanto o presidente Zibetti disseram não imaginar que isso pudesse acontecer. Assim, o túnel foi colocado apenas na volta do intervalo.

Espanha
Na coletiva de imprensa após o jogo, Jarico explicou o que poderia ter deixado os jogadores da Malwee irritados. “Fui cumprimentar o Falcão e ele me cobrou uma coisa que me deixou chateado. Um repórter de uma rádio de Jaraguá [Amizade FM] teria dito que naquele jogo na Espanha eu havia ofendido a equipe da Malwee com palavras que nem vou falar aqui”.
Jarico procurou se acalmar e manter o time tranqüilo em relação a isso. “Foi uma forma maldosa que esse comunicador usou, e estou num ponto em que posso até partir para a agressão numa situação dessas. Tudo por causa de uma pessoa que coloca no ar uma coisa que eu não falei”, ponderou.
“A gente respeita muito a ACBF. Há toda uma rivalidade, e é lá na frente que a camisa vai pesar. Isso tanto a ACBF quanto a Malwee têm”, disse Falcão. (ED)

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