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Passado
um ano da implantação do estacionamento pago em Carlos Barbosa
também chamado de Estacionamento Rotativo, ou Zona Azul
, ainda são freqüentes os bate-bocas e discussões
entre condutores de automóveis e as monitoras do estacionamento.
De um lado, os motoristas que criticam a falta de tolerância
com paradas de poucos minutos, e do outro elas, que cumprem o papel de
fiscais.
O contexto procurou as monitoras da Zona Azul para conhecer as principais
reivindicações da categoria, e ainda os episódios
mais freqüentes durante as fiscalizações, mas elas
são orientadas pela empresa responsável, a Rek Parking,
a não dar entrevistas. A responsável pela supervisão
do estacionamento em Carlos Barbosa, Gláucia Casanova, 22 anos,
explica que essa medida garante maior discrição e profissionalismo.
Segundo Gláucia, não há uma forma de proteção
para as funcionárias, assim como não se pode prever uma
agressão, seja ela física ou verbal. Não dá
para colocarmos um guarda para tomar conta delas, disse.
Na última semana, aconteceu o primeiro caso de agressão
física a uma das monitoras, bem no Centro da cidade. Ao autuar
o proprietário do veículo, o rapaz alterou a voz e ambos
discutiram. Em algum momento, a criança que estava com o condutor
chutou a monitora na perna. Nenhuma medida foi tomada pela empresa a respeito.
De acordo com a supervisora, a vítima preferiu esquecer o acontecido.
CONSCIENTIZAÇÃO
A conscientização da comunidade parece ser a única
forma de evitar novos casos como esse. Gláucia explica que em Caxias
do Sul o estacionamento rotativo existe há 10 anos e ainda ocorrem
fatos semelhantes todos os dias. Em Carlos Barbosa, a situação
permanece, mas alguns motoristas já estão habituados. No
Centro, aquela parte onde já faz um ano que estamos, os motoristas
são muito mais conscientes. Eles sabem que ao deixar o carro têm
que ir até o parquímetro. O problema são as quadras
onde estamos há cinco meses, conta ela.
O maior índice de rejeição à fiscalização
parte de visitantes. Os piores são os que vêm de Garibaldi
e Bento Gonçalves. Lá eles são acostumados com um
tempo de tolerância que aqui não temos. E outra, nessas cidades
não tem parquímetro, aqui sim, e nossa multa é mais
alta, afirma a responsável.
EMPRESA
A marca Zona Azul pertence à empresa Rek Parking, de Caxias do
Sul, que atua em diversas cidades do Estado, como Caxias do Sul, São
Leopoldo, Taquara e Santa Maria. O nome pode variar: em São Leopoldo,
por exemplo, já se chamou Área Nobre, hoje Zona Azul. Esse
nome serve para que os usuários se familiarizem com a área
paga.
Nos locais públicos de atuação da Rek Parking, os
contratos são feitos por meio de licitação junto
às prefeituras, assim como em Carlos Barbosa. A empresa presta
serviços particulares também para estacionamentos fechados.
SELEÇÃO
Os monitores de parquímetros passam por uma entrevista antes de
ingressarem na tarefa. Gláucia explica que os interessados na profissão
são claramente despertados para as tribulações que
estarão sujeitos: Nós falamos tudo na entrevista,
inclusive o que já aconteceu com outras pessoas. Somos agredidos
verbalmente todos os dias e várias vezes por dia.
O monitor precisa ter, no mínimo, 1º grau completo, e ser
muito paciente, algo fundamental para a atividade: Se o motorista
disser algum palavrão, temos que concordar e seguir em frente,
sugere a responsável, que também já trabalhou na
rua como monitora. (AM)
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