Publicado em 17/05/08

Monitoras do rotativo são obrigadas a se calarem diante
de agressões verbais

Passado um ano da implantação do estacionamento pago em Carlos Barbosa – também chamado de Estacionamento Rotativo, ou Zona Azul –, ainda são freqüentes os bate-bocas e discussões entre condutores de automóveis e as monitoras do estacionamento. De um lado, os motoristas que criticam a “falta de tolerância” com paradas de poucos minutos, e do outro elas, que cumprem o papel de fiscais.
O contexto procurou as monitoras da Zona Azul para conhecer as principais reivindicações da categoria, e ainda os episódios mais freqüentes durante as fiscalizações, mas elas são orientadas pela empresa responsável, a Rek Parking, a não dar entrevistas. A responsável pela supervisão do estacionamento em Carlos Barbosa, Gláucia Casanova, 22 anos, explica que essa medida garante maior discrição e profissionalismo.
Segundo Gláucia, não há uma forma de proteção para as funcionárias, assim como não se pode prever uma agressão, seja ela física ou verbal. “Não dá para colocarmos um guarda para tomar conta delas”, disse.
Na última semana, aconteceu o primeiro caso de agressão física a uma das monitoras, bem no Centro da cidade. Ao autuar o proprietário do veículo, o rapaz alterou a voz e ambos discutiram. Em algum momento, a criança que estava com o condutor chutou a monitora na perna. Nenhuma medida foi tomada pela empresa a respeito. De acordo com a supervisora, a vítima preferiu esquecer o acontecido.

CONSCIENTIZAÇÃO
A conscientização da comunidade parece ser a única forma de evitar novos casos como esse. Gláucia explica que em Caxias do Sul o estacionamento rotativo existe há 10 anos e ainda ocorrem fatos semelhantes todos os dias. Em Carlos Barbosa, a situação permanece, mas alguns motoristas já estão habituados. “No Centro, aquela parte onde já faz um ano que estamos, os motoristas são muito mais conscientes. Eles sabem que ao deixar o carro têm que ir até o parquímetro. O problema são as quadras onde estamos há cinco meses”, conta ela.
O maior índice de rejeição à fiscalização parte de visitantes. “Os piores são os que vêm de Garibaldi e Bento Gonçalves. Lá eles são acostumados com um tempo de tolerância que aqui não temos. E outra, nessas cidades não tem parquímetro, aqui sim, e nossa multa é mais alta”, afirma a responsável.

EMPRESA
A marca Zona Azul pertence à empresa Rek Parking, de Caxias do Sul, que atua em diversas cidades do Estado, como Caxias do Sul, São Leopoldo, Taquara e Santa Maria. O nome pode variar: em São Leopoldo, por exemplo, já se chamou Área Nobre, hoje Zona Azul. Esse nome serve para que os usuários se familiarizem com a área paga.
Nos locais públicos de atuação da Rek Parking, os contratos são feitos por meio de licitação junto às prefeituras, assim como em Carlos Barbosa. A empresa presta serviços particulares também para estacionamentos fechados.

SELEÇÃO
Os monitores de parquímetros passam por uma entrevista antes de ingressarem na tarefa. Gláucia explica que os interessados na profissão são claramente despertados para as tribulações que estarão sujeitos: “Nós falamos tudo na entrevista, inclusive o que já aconteceu com outras pessoas. Somos agredidos verbalmente todos os dias e várias vezes por dia”.
O monitor precisa ter, no mínimo, 1º grau completo, e ser muito paciente, algo fundamental para a atividade: “Se o motorista disser algum palavrão, temos que concordar e seguir em frente”, sugere a responsável, que também já trabalhou na rua como monitora. (AM)

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