Mulheres de ontem e de sempre

Nos textos desta página o contexto rende uma simples homenagem a algumas mulheres que, em suas próprias épocas e por diferentes motivos, acabaram entrando para a história. Elas ajudaram a valorizar a figura feminina e acabar com muitos preconceitos e tabus. São muitas as mulheres que poderiam ser lembradas neste espaço pela sua contribuição, e os perfis femininos mostrados nesta matéria servem apenas para lembrar a presença delas em diferentes áreas de atividades.

Cleópatra: Beleza e astúcia no Egito Antigo

Entre os anos de 47 e 30 antes de Cristo, quando o Império Romano era o mais poderoso no planeta, uma mulher ousou se colocar em seu caminho. Seu nome era Cleópatra, então rainha do Egito.

Historiadores concordam sobre a beleza fenomenal da rainha, tão grande quanto sua esperteza: ela conseguiu manipular dois dos homens mais poderosos do seu tempo, os romanos Júlio César e Marco Antônio, assegurando que o Egito ficasse de fora da ocupação romana. Acabou se tornando símbolo da astúcia feminina.

O amor por Marco Antônio foi tão grande que ainda determinou a queda e derrota do imperador pelo rival. Antônio se suicidou após a derrota, e Cleópatra foi aprisionada por Otávio.

Arrasada pela perda de Marco Antônio, a rainha do Nilo não deixou que Otávio exibisse sua prisioneira pelas ruas de Roma, tirando a própria vida no ano 30 a.C., ao deixar-se picar por uma serpente venenosa.


Joana D’Arc: De heroína francesa a santa ou louca

Uma das histórias mais apaixonantes que existem é a de Joana D’Arc. E, como toda lenda, também esta é cercada por uma aura de mistério. Até hoje, não se sabe ao certo se a heroína francesa (no original Jeanne D’Arc) era uma santa, uma louca ou uma feiticeira.

Joana nasceu em 1412 numa pequena aldeia francesa, e foi queimada viva apenas dezenove anos depois, em 1431. O que não impediu que entrasse para a história.

Na época em que Joana nasceu, França e Inglaterra se degladiavam, desde 1337, numa disputa por territórios. O confronto durou até 1453 e ficou conhecido por Guerra dos Cem Anos. Foi ali que Joana encontrou seu destino e transformou-se em heroína francesa.

A lenda registra que a humilde camponesa, com 13 anos, começou a ter visões de santos que lhe apareciam pedindo que ajudasse a libertar a França da opressão inglesa.

Em 1429, os ingleses estavam prestes a dominar Orleans; foi quando as "vozes" pediram que Joana ajudasse o monarca francês Carlos VII – que, devido a uma luta interna pelo poder, ainda não tinha sido coroado rei.

Na época corria entre o povo a profecia de que uma virgem iria libertar a França. Foi assim que Joana conseguiu respaldo do monarca e o comando de uma pequena escolta. Estreando na arte da guerra, ela se despiu da feminilidade, vestindo roupas masculinas e lutando como um feroz soldado.

Ela libertou Orleans dos ingleses, fez com que Carlos VII fosse coroado rei e nunca desistiu de lutar contra a Inglaterra, o que fez com que fosse aprisionada pelo exército inimigo em 1430.

Submetida ao julgamento da Igreja em território inglês, a francesa foi acusada de ter usado roupas masculinas, de ter feito profecias e de blasfêmia ao dizer que tinha visões divinas. Condenada como herege, foi queimada viva em praça pública em 29 de maio de 1431, com apenas 19 anos.

O processo de canonização de Joana D’Arc começou em 1869, quando os franceses já tinham recuperado praticamente todo seu território nacional, mas ela só passou a ser considerada santa em 1920.

A imagem de Joana D’Arc, como heroína, bruxa ou santa, foi usada muitas vezes desde então, na literatura, na poesia, na música (onde virou o famoso rock Eu Não Matei Joana D’Arc, da banda baiana Camisa de Vênus), e no cinema, onde inspirando várias produções, sendo a mais recente de 1999, dirigida pelo francês Luc Besson.

 


 

Mary Quant: A inglesa que

descobriu os joelhos das mulheres

Se não fosse pela inglesa Mary Quant – que nasceu em 1934 e continua na ativa até hoje –, provavelmente os homens continuariam acostumados a ver as mulheres desfilando com saias compridas até os pés.

Pois foi Mary Quant que, em meados dos anos 60, inventou a polêmica minissaia.

O fenômeno apareceu em 1964, quando todo o mundo passava por uma enorme revolução, principalmente cultural. Os jeans, por exemplo, tornaram-se uma verdadeira instituição para a juventude do "paz e amor", enquanto o fenômeno dos Beatles ia ficando cada vez maior e o pesadelo do Vietnã ainda chocava os americanos. No Brasil, a Jovem Guarda surgia com força total.

Nesta época, a então estudante Mary Quant achava a moda "terrivelmente feia", passando a desenhar sua própria roupa; anos depois, com o marido, abriu a loja Bazaar, na famosa King’s Road, em Londres.

Seu nome ficou marcado como sendo inventora da minissaia, mas há há controvérsias sobre quem realmente criou a indumentária.

Acontece que, no mesmo ano de 1964, o estilista André Courreges "subiu" as saias de sua coleção de verão cerca de 15 centímetros acima do joelho. Seriam as primeiras minissaias.

Mas a revolução mesmo foi assinada por Mary Quant, que na mesma época radicalizou ao desenhar saias com "mínimos" 30 centímetros de comprimento, que deixavam toda a perna de fora e eram usadas com blusas justas (a camiseta ainda era roupa íntima), botas e meias para fazer frente ao frio londrino.

O fenômeno se alastrou pelo mundo, para desespero das mulheres conservadoras e alegria dos homens em geral.

Em poucos anos, Mary Quant abriu 150 filiais na Inglaterra, 320 nos EUA e milhares de pontos de venda no mundo todo. Sua butique se tornou o símbolo de vanguarda das décadas de 60 e 70, mas o auge veio em 1966, quando a própria rainha Elizabeth II condecorou Mary com a Ordem do Império Britânico. Ela foi receber o prêmio, óbvio, vestindo uma minissaia.

Mary Quant voltou a ser notícia em 1994, então com 60 anos, quando lançou uma coleção de acessórios e de cosméticos justificando: "É para que ninguém me esqueça". Ela ainda é adepta da sua criação.


Princesa Isabel: Trocou a monarquia pelo final da escravatura no Brasil

No ano de 1888, a Princesa Isabel vivia um dilema: assinar a Lei Áurea, determinando a liberdade dos escravos que trabalhavam nas lavouras brasileiras e ao mesmo tempo desferindo um golpe mortal na monarquia – já que os ricos senhores de escravos, descontentes, passariam para as fileiras republicanas –, ou fechar os olhos e deixar tudo como estava?

Todo mundo sabe a resposta, e foi por isso que a Princesa Isabel passou a ser chamada de A Redentora.

Esta mulher nasceu em 29 de julho de 1846 (quando o Brasil ainda era regido pela monarquia), no Rio de Janeiro. Segunda filha de Dom Pedro II, na época o governante do Brasil, ela tinha o extenso nome (costume típico da época) de Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança.

A Princesa Isabel recebeu esmerada educação, inclusive musical. Falava francês, alemão e inglês, mas era simples, tendo como principal passatempo plantar e colher flores. Ainda jovem, com 18 anos, ela casou com o Conde D’Eu, que virou marechal do Exército Brasileiro.

Dom Pedro II sofria de diabetes e problemas do fígado, e em diversas oportunidades precisou de atendimento médico na Europa. Nestas oportunidades, a Princesa Isabel assumia o trono. Ela governou o Brasil em três vezes, de 1871 a 1872, 1876 a 1877 e 1887 a 1888.

Foi neste último período que a princesa mostrou um lado mais de mulher do que de regente, abraçando a causa abolicionista e se declarando "madrinha dos escravos".

Ela sabia que assinar a Lei Áurea era determinar o fim da monarquia e ainda trazer sérios problemas à Coroa, já que estava apoiada nos fazendeiros e senhores de engenho; colocando-se contra os interesses deles, eles também abandonaram a Coroa e passaram a apoiar a República.

De qualquer jeito ela assinou, com uma caneta de ouro, a Lei Áurea, dando liberdade aos escravos em 13 de maio de 1888, em Petrópolis. Pouco mais de um ano depois, em 1889, instituída a República, a família real foi banida para a Europa.

Somente em 1920 foi revogada a lei que bania a Família Imperial do Brasil, mas era tarde para receber a libertadora dos escravos de volta. Enferma, ela faleceu em 14 de novembro de 1921. Teve três filhos com o Conde D’Eu, sendo que dois deles faleceram antes que ela.

A estampa da Princesa Isabel ficou conhecida na nota de 200 cruzeiros, nos anos 80.


Madre Teresa : Solitário exemplo de compaixão

Quando se fala em exemplos de amor ao próximo e compaixão, é difícil não lembrar de Madre Teresa de Calcutá, falecida em 1997, aos 87 anos.

Afinal, que exemplo seria melhor do que uma freira que se envolveu em uma Cruzada solitária e indigna, com um amor fora do comum pela humanidade, levando uma vida notável alimentando famintos, assistindo enfermos e, principalmente, dando ouvidos aos que nunca eram escutados?

Madre Teresa nasceu em 27 de agosto de 1910, na Macedônia, filha de humildes comerciantes. Seu nome de batismo era Agnes Gonxha Bojaxhiu.

Educada em ambiente profundamente religioso, Agnes logo percebeu sua verdadeira vocação e já aos 18 anos entrou na Ordem de Loreto, em Dublin, na Irlanda; dois anos depois, em 1931, fez seus primeiro votos, adotando o nome de Teresa.

Sua primeira ação em nome dos desamparados foi em 1948, quando ela deixou a Ordem de Loreto para trabalhar com os pobres e leprosos nas favelas de Calcutá, na Índia. O trabalho voluntário fez com que recebesse cidadania indiana, incluindo o "de Calcutá" ao nome dado pela Ordem.

Em 1950 Teresa virou Madre de sua própria Ordem, ao fundar as Missionárias da Caridade, estabelecida em Calcutá. Estas se espalharam e deram orifgem ainda à Associação Internacional dos Co-operários de Madre Teresa, que usava leigos em atividades assistenciais.

O trabalho deu a Madre Teresa o Prêmio Nobel da Paz em 10 de dezembro de 1979. Aí seria fácil se acomodar e viver dos louros da façanha, apenas coordenando a Ordem que criou. Mas Madre Teresa continuou na ativa, envolvendo-se também na campanha de ajuda às vítimas da AIDS a partir de 1987, até sua morte.


Marilyn Monroe: A sex symbol que virou lenda

A cena é antológica: uma loira escultural caminha e uma assanhada saída de ar lhe levanta a saia. Ingênua para os padrões atuais mas polêmica para a década de 50, esta passagem do filme O Pecado Mora ao Lado é uma das que ajudou a tornar a modelo e atriz americana Marilyn Monroe um sex symbol de todas as épocas, ainda mais com a morte prematura aos 36 anos de idade eternizando sua beleza.

Apesar de ter atuado inclusive em um filme chamado Os Homens Preferem as Loiras, Marilyn na verdade nasceu com cabelos castanhos e o nome Norma Jean Barker, em 1942.

Sua mãe tinha problemas mentais e poucas condições financeiras, e o pai jamais foi conhecido. Por isso, ela passou a infância trocando de famílias. Aos 15 anos, já tinha morado com onze famílias diferentes até se casar, no ano seguinte, com James Dougherty, vizinho de seus então pais adotivos. Era o primeiro de três casamentos.

Norma trabalhou um bom tempo em uma fábrica até ser descoberta por um fotógrafo e seguir carreira de modelo. Mas seu desejo era ser estrela de cinema.

Em uma agência, recomendaram à garota que se quisesse entrar em Hollywood precisaria voltar a ser solteira e trocar a cor das madeixas de castanho para loiro platinado. Foi o que ela fez, e depois de diversas fotos em diferentes revistas chamou a atenção em Hollywood. Foi aí que ela trocou de nome. Marilyn foi sugestão do empresário, e Monroe uma homenagem à mãe, Gladys Monroe. No cinema ela fez 30 filmes, incluindo clássicos como Quanto Mais Quente Melhor.

Em 1954, Marilyn casou com um famoso jogador de beisebol, Joe DiMaggio. Aí aura de sensualidade em torno da deusa loira incomodou o ciumento jogador. A cena da saia levantando foi a gota d’água para o divórcio nove meses depois.

O terceiro casamento foi em 1956, com o dramaturgo Arthur Miller. O casamento durou, mas terminou durante as filmagens de Os Desajustados, em 1961 – o próprio Miller tinha adaptado sua peça especialmente para ela. Começava uma fase ruim para Marilyn Monroe, com dependência de álcool e soníferos.

Em 1962, ano em que ganhou o prêmio de Estrela Mais Popular do Mundo, outra cena que entrou para a história: ela cantou Parabéns a Você ao presidente americano John Kennedy.

O envolvimento com ele e seu irmão, Robert Kennedy, ambos casados, até hoje é cercado de mistério, e há quem diga que foi o que causou sua morte misteriosa – assassinato, para muitos.

Em 4 de agosto de 1962, ela foi encontrada morta na cama, de bruços, com o telefone fora do gancho nas mãos. Na época, uma dose letal do calmante nembutal foi considerada a causa da morte.

 

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