Conta a mitologia grega que Ícaro conseguiu realizar o sonho de voar criando duas asas de cera. Mas ele voou tão alto, ao contrário do que deveria, pela ambição, que o sol derreteu-lhe as asas, determinando a sua queda e a sua morte.

Voar é um sonho antigo do ser humano, até que no começo deste século Santos Dumont e os irmãos Wright inventaram o avião. Ainda não era o ideal, mas era um grande passo em direção aos céus. Na verdade, as pessoas queria um mecanismo capaz de fazê-las voar individualmente, livremente, como os pássaros, sem depender de aeroportos, passagens, aviões, etc.
Pois não é que uma amostra do sonho tornou-se real no Carnaval carioca? Explico: a Grande Rio, escola de Joãosinho Trinta, trouxe para a avenida um americano fantasiado de astronauta ou coisa parecida, voando graças a um propulsor a jato criado pela Nasa. O propulsor parece uma máquina de sulfatar os parreirais, dessas que o pessoal da região ainda usa. No tamanho, bem entendido, porque em questão de tecnologia não tem comparação.

O piloto trabalha para uma empresa de efeitos especiais de Dallas (Texas), que cobrou a bagatela de 143 mil dólares (cerca de 290 mil reais) pelo show. O nome da geringonça é Rocket Belt (cinto foguete), pode fazer o sujeito voar – voar mesmo – por cerca de 30 segundos de cada vez, e pode ser dirigido com movimentos do próprio corpo, tendo como combustível o peróxido de hidrogênio.

Confesso nunca ter lido sobre algo assim, ou visto qualquer coisa semelhante. E olha que não sou tão mal informado. Esse cinto foguete é um espetáculo, é algo verdadeiramente fantástico, que pode revolucionar o mundo como é conhecido hoje. Imagine todo mundo com um treco desses, voando para todos os lados sem nenhuma dificuldade, como se fosse uma moto, sei lá.
Evidentemente, a autonomia de vôo teria de ser maior, e o preço do aparelho precisaria ser acessível. Mesmo que isso ocorresse, seria necessário adequar esse novo meio de transporte à realidade, e esta talvez seja a parte mais difícil.

Imagine também uns 6 mil desses aparelhos em Barbosa (mesmo número de veículos hoje), com toda essa gente voando por aí. Como impedir os acidentes em pleno ar? Sim, porque os pássaros possuem mecanismos naturais que os impedem de bater em outras aves ou em obstáculos em pleno vôo, algo que não teríamos. Determinar a trajetória dos aviões (alguns milhares no mundo todo) é bem mais fácil, e mesmo assim eles chocam-se no ar. Milhões de pessoas voando por aí seria algo difícil de coordenar. Não sei como isso seria feito na prática, mas sei de uma coisa: governos medíocres inventariam um modo seguro de cobrar IPVA e multas dos voadores.

Uma novidade desse tipo só poderia mesmo ser mostrada no Brasil pelo Carnaval carioca, a maior e melhor festa popular do mundo. Sei de um monte de gente ávida por apontar defeitos no carnaval (dias parados, bebedeira, nudez, abusos), mas está na hora de valorizarmos a festa não apenas por esse prisma.

O Carnaval brasileiro atrai milhares de turistas estrangeiros, e movimenta intensamente o turismo interno. Resumindo: são alguns bilhões de reais de faturamento com o Carnaval. Na maior parte do ano, dezenas de milhares de pessoas são empregadas pelas escolas de samba de norte a sul.
Nem sou fanático por Carnaval, mas tenho de ser coerente com os méritos da festa. Tem sempre entendidos para olhar defeitos, mas quando é lá fora, no exterior, que fazem umas festas mixurucas (puro marketing), os mesmos entendidos acham ótimo.

Até na questão da sexualidade carnavalesca (se é possível chamá-la assim) temos defesa. Em várias cidades européias importantes a putaria também é fator de exportação, inclusive com ruas inteiras de vitrines exibindo mulheres, trabalhadoras da mais antiga profissão da humanidade. Até pouco tempo atrás, Amsterdam, por exemplo, permitia o consumo de drogas, atraindo viciados do mundo todo. E não me consta que a Holanda deixou de ser considerada um país de Primeiro Mundo por causa disso.

Vamos parar com essa mania de criticar só porque é brasileiro, criando uma aura negativa sobre o país. As coisas ruins devem ser criticadas, sim, mas este não é caso do Carnaval. Nem por isso eu ou você precisamos gostar dele, mas aquele show dos cariocas na Marquês de Sapucaí é de tirar o chapéu.
E tem ainda outro aspecto importante: a beleza e a sensualidade da mulher brasileira. Lá fora eles pode ter mulher-gorila, homem voador, o escam-bau, mas mulheres como as nossas (!?) eles nunca terão, pois isso leva 500 anos misturando europeus, africanos, índios e sei lá o que mais. O resultado é uma pintura, com tez maravilhosa e bundinhas que nenhum computador da Nasa é capaz de desenhar. É de fazer a gente sair voando para o Rio, com máquina de verdarame nas costas.

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